domingo, 9 de setembro de 2018

Flor de gelo

Não à toa as flores de gelo desfazem quando se chega perto demais.

Nascem da torpeza do gelo, são elas o próprio coração do inverno.

E no menor sinal de calor, se derretem e liquefazem... Porque não há vida ali. Apenas aparência e clemência.

Elas existem, mas são proveitos de um sopro (divino ou não) que tão logo encontrarão o fim nos próximos verões.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Apocarp

Ouça os sons que bradam do norte

São montanhas que se derramam no inverno

E que clamam nossos nomes nos eternos.

Ouça.

Tenho um coração acovardado de sentir
Mas que exposto ele trata de repetir.
 "Ainda vivo, ainda bato"
Eis o inverso do que sinto
posto que retumba e eu que abafo.

Hei de crescer estas raízes
E quando firme, viverei
Por ora somos livres
Pra que eu seja outra vez

Tenho tempo e tomo um canto
Como a vida em desencanto
Hei de colorir a estrada
Pra seguir entre meus galhos
Quais me deixarão sem farpas.

sábado, 11 de agosto de 2018

Uma bomba sobre Manhattan

Todas as pessoas que transitam por aqui se perdem dentro de si
E em meio à tanta pressa sobrepesa a idade de um senil.
E sobre seus corpos há o peso de um oceano azul escuro.

Os cães pretos que transitam livremente pelo condado não são sempre dóceis
Por vezes eles descansam, e quase sempre eles são ferozes.

Não arrisco.

Há tanta pressa e tanta gente que o próprio caos se mudou para cá.
Assim ele não necessita de motivo ou cansaço para atingir em cheio os corpos vazios.

Os lugares, as ruas. Há tanto barulho que não um só sequer que se possa distinguir.
É uma constância de absurdos. É uma falta de tolerância consigo mesmo que
o maior frio que aqui atinge vem de dentro de nós mesmos.

É como uma bomba atômica atingindo Manhattan para que sua quietude e inexistência dessem
lugar à paz por pelo menos um instante.

Eu só queria uma pílula que, como uma bomba sobre Manhattan, pudesse silenciar de uma vez por todas esse tormento instalado em mim.

domingo, 15 de julho de 2018

Sou o Céu

Há um cisco em meus olhos, mas seguro para não lacrimejar

Com tantos horrores assistidos de longe, não cedo, não vou chorar.

Há tanta beleza em três ou mais milhões de cores que olhos não podem fotografar

Sei do que daqui de cima vejo, mas não são manhãs incertas que podem me abalar,

Mas são pesadelos noturnos que só fazem amedrontar.

Logo cedo vem cheiro de erva fresca e, de muito bom tom, tanto me deixo emocionar,

Então aquele cisco em meus olhos me provoca. E agora eu não preciso segurar..

Assim, brado em trovões e desabo em tempestades torrenciais de tudo que há em mim.

Quando acalmo, percebo que mesmo diante de todo caos que instalei sem controlar,
há também frutos que por sorte ou acaso vieram me encontrar.
E um lago que se formou onde agora é meu lugar,
Um espelho d'água em que me vejo sem que eu precise me afogar.

Eu sou um céu mais feliz por conta de tantas cores.
Sou união entre a distância da vontade destes homens.
Sou eu, depois de tantas quedas, alguém melhor do que fui antes
Sou a vista dos poetas, dos ébrios e retirantes.

Eu sou o céu.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sigo caminhos

Mas que crueldade!

Me tratar como um animal selvagem que sou

E me alimentar com migalhas de atenção quando convém.

Sei que não mereço nada além disso.

-Não aprendi a dançar, não aprendi a comer peixe (ainda os odeio, por sinal!) -


Mas tudo bem. Eu não estou reclamando. Eu dilacero das entranhas qualquer sentimento só pra sentir o sangue fresco e pulsante.

Merguho em eternidades que só duram tanto em mim.

São estrelas, universos que brilham e nunca cessarão

São tolices esquecidas dentro deste coração.


-Você deixou a porta aberta e eu morri de pneumonia com o frio que me invadiu.-