quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Ad Infinitum ∞

Não se precipite, não seja despertada antes do tempo novamente.

Deixe que as coisas tomem fôlego, deixe que o mundo nos supere um pouco mais.

Sabe o que aconteceria se eu deixasse de me cuidar?

O que aconteceria se você nunca mais tivesse a chance de me encarar novamente?

Eu não quero que se arrependa. Quero que tome tempo porque o amor é um sentimento instável e, quando verdadeiro, é como uma mancha colorida em um tecido cândido. Então, não queira se sujeitar ao meu tempo.

Eu nunca sairei daqui, tenho raízes profundas demais. Não se precipite, tome tempo.

O tempo há de colocar as coisas no lugar e dar vasão aos excessos.

E eu, como é de minha natureza, estou excessivamente confuso.

Pois bem, sem despedidas. Apenas caminhe em frente sem olhar para trás. Eu continuo observando de longe seus passos, ainda que escondido em fantasias das quais a mente confunde com o que é real.

Então, quando chegar no fim do caminho, abra seus olhos. Pode ser que o seu trajeto seja infinito, mas há de chegar ao começo, onde um pé de amora guarda as mais belas lembranças do que um dia eu fui.

Se for o caso.

Seus olhos me enviam mensagens secretas. Se eu pudesse rivalizar com o destino eu teria a sorte ao meu lado.

Mas minhas dores são tantas, e somam ainda esta, o destino não me é favorável. Não posso sequer dizer seu nome.

Anda! Arranque logo este meu coração se esse for o caso. Eu não me importo, mas imploro, tire devagar para que eu sinta o estrago e revire os olhos de prazer.




Não acaricie meu peito sem que me estipule nenhuma agonia
Não há outra outra mão que me abrigue como a sua
Então me toque, me machuque, se entregue com ou sem candura,
Pois o seu toque fraterno é admirável

Mas mentir para si mesma é uma tortura.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Fogo no Inverno.

Estive vendado num escuro quarto

Mas por instinto, me virei para enxergar a fagulha que se acendeu

Mesmo através do tecido pude enxergar a luz e seu singular calor.

Pronto, estava em chamas novamente. E agora tateio o escuro em busca do conhecido incerto.


Sinto chiar as chamas como chuvas volúpias em sua respiração.

sábado, 9 de setembro de 2017

Das sete coisas, as sete cores.

Eu sei

Eu sei

Eu sei

Eu sei

Eu sei

Eu sei

Eu sei

Mas nada é mais embaraçoso do que ouvir a voz aveludada,

Os cabelos de cobre de cetim,

As cores todas uniformes

Os velhos quadros

Os segredos não guardados

E o medo. O medo que mora em mim.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Caducifólia

São Paulo, Dez horas.
Em algum lugar do meu quarto eu sei que esqueci um papel com os nomes dos livros.

Há um constante desconforto em mim, borboletas no estômago ilustrariam isso, mas estou longe de estar apaixonado.

Há também uma voz em minha cabeça sussurrando qualquer coisa, aquela agonia, um silêncio amedrontador. Talvez seja o calor, talvez seja o tal inferno astral.

Fato é que essa pressão quer me implodir ao mesmo tempo em que meu coração disparado e ansioso explode. E eu permaneço instavelmente estável.

Como se tudo que eu precisasse fosse um pouco de música boa para acalmar meus dias
Ou então uma piscina ligeiramente fria para amenizar o calor maldito.

Oi, tudo bem?

A falta que faz o interesse é recíproco. Ninguém se mantém firme o tempo todo. É até bom estar sozinho, mas se sentir sozinho é um veneno com gosto de framboesa.

Dez horas.

Tanta coisa por fazer e eu só sei me ocupar de infinitas preocupações que não me tiram do lugar.

Como se não bastasse o baixo desempenho na vida, tenho ainda a capacidade de dizer um ou dois, talvez seiscentos mil caracteres que pouco dizem o que eu realmente sinto.

Estou cansado

Estou cansando

Disposto a mudar de rotina, mas nada que me leve muito longe. Porque minhas raízes me mantêm firme, mas minhas folhas - cadúcias- se vão no inverno.

É o inferno, me disseram, é o inferno.