segunda-feira, 12 de junho de 2017

Moscou, 5h38min.

Inverno

Correntes e frentes frias invadindo a janela do meu quarto de forma abrupta.
Com pesar, enevoam o horizonte em carregadas nuvens de mil toneladas e megatons.

E eu?
...
Bom, me encolho em meu refúgio azul em disparate afável.

Eis que as barbáries me atormentam e num desespero de me reconhecer sem você, me faço e desfaço em mil faces... Eu sei, é inútil, em menos de 7 parágrafos eu já te encontrei.

Mas eu vou tentar esquecer, e quando isso acontecer, não mais deixarei meu relógio global marcado com os horários de Moscou e Londres.

Isso era para eu não me esquecer dos nossos destinos.

Afinal, quando eu olho pra frente ainda me sinto assentado em nós.

Mesmo sabendo que no fim nada disso foi verdadeiro o suficiente para nos levar lugar algum.



sábado, 10 de junho de 2017

Ato e potência

Um brinde

Antipatia, a aurora grosseira e o ar frio lancinante

É meu mundo, nem sequer desmoronou.

Eu destruí todo amor que havia em mim

Para viver a apatia de uma gravata pela selva de pedra.


O que há para se fazer?

recorrer multas de trânsito, me esconder em belas palavras escritas. Malditas sejam estas letras.

Porquanto a voz cala, a coragem se esvai e meu recurso falha.


E aos amigos, porque apesar dos vacilos meus, eles ainda estão ali me aconselhando em erros.

domingo, 21 de maio de 2017

Do que fui

Aqueles sonhos estão despertando

Eu estive adormecido por algum tempo e foi como se tudo estivesse acontecendo em um plano que não eu participava.

Me comprometi com a frieza metálica e estive sorrindo por trás de uma máscara que não era a minha.

Continuo alheio às pequenices bonitas, as grandes, no entanto, têm me balançado de forma afável.

Me lembrei daquelas palavras nunca ditas.


Encontrei no seu olhar, durante anos, a resposta que nunca ouvi

Busquei nos seus lábios o falecido encanto

E em tudo que vivemos, tive o prazer de amar por nós dois

Porque vivi por nós e, respirando por mim, não percebi quando te sufoquei de minha existência.



Já depois do fim, naquele diário sem pontos finais, eu descobri que eu não soube escutar,

Não soube me atentar aos gestos teus.

Acho que, enfim, não amei nem por mim.

Mas não há nenhum lamento aqui, apenas um importante registro do que fomos.

sábado, 20 de maio de 2017

Foi-se

Não se apresentava como humano.
Era nem físico nem etéreo.


Perpassava as vidas de forma imanente

Mas, dotado de certa consciência,
Percebia nos homens a tristeza

Julgava-nos como criatura doente

Não acometidos de patologias corporais

Mas defasados na mente

Origem da razão, tradução livre do devir

No entanto, nos acusava à extinção

Sem escusas da paixão

Decidiu-se por partir,

Nos condenar à solidão



Sua ausência fez-se bela

Como cores de aquarela

Espalhadas pelo chão




E foi-se o amor.



.

domingo, 14 de maio de 2017

Nuvens passageiras

Eu fiz questão de apagar sua memória. Quaisquer lembranças foram substituídas por loucuras desregradas em noites tumultuadas cheias de outras pessoas.

Mas como um Flash grosseiro, eu de vez em quando ainda te vejo passar como nuvens carregadas sobre mim.

No fim sabemos que não há de chover, mas também há de sabermos que se vejo a tempestade corro  em vão para alcançá-la.

Ao que me move, assim eu alço meus voos rasantes.