quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Breve ensaio sobre minha depressão

Sim.

Ela é real.

Ela existe e, desde que consigo me lembrar, ela me acompanha.

Hoje eu estou sob controle.

Hoje eu estou forte

Hoje eu estou feliz.

Mas nada disso significa que estou curado.

Pois, para mim, é um processo diário.

Um exercício contínuo de fixação às relações que me prendem aqui.

Posso sentir as coisas mudando repentinamente e tento manter meu controle.

É normal não ser forte o tempo todo, mas aos poucos eu consigo aceitar a ideia.


Vale lembrar que não nunca estive sozinho, mesmo me sentindo assim por tanto tempo.


Eu sinto muito por muito e tanta gente. Eu estive navegando uma rota que não era minha.

Mas agora acho que retomei o controle.


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Não foram os impulsos que me ensinaram a voar.
Foram as quedas

Não foi a lealdade que tive que me ensinou em quem confiar
Foram as decepções

Não foi pela alegria que conheci meu próprio estado de embriaguez
Foi o desespero que me fez querer ficar sóbrio de novo

Não foram amores fáceis que me ensinaram a sorrir
Foram as lágrimas

Por fim, acreditei que o amor me ensinou a chorar
Mas, no escuro, encontrei meus amigos
E eles me insistiram para ficar.

Mas também, não ficarei só por eles
Visto que encontrei motivo em mim para acreditar
E eu ainda convivo com a dor,
Mas aprendi a lidar.

Eu sei que é difícil.
Mas eu também sei que existe alguém dentro de nós que implora para que vença.

Porque metade de mim foi luto, e a outra foi luta.

Portanto, lute!

Nenhum abismo é grande o bastante para conter o infinito universo que todos temos dentro de nós.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

A palavra de que sempre me esquecerei.


Eu ia dizer alguma coisa..

Mas percebi que sou um afresco inacabado

um desenho, um esboço.
Um vendaval de paradigmas


O branco que dá



E.. Qual era mesmo aquela palavra?

Sou um texto incompleto

Uma jura não cumprida


Uma teoria fajuta

Mas.. Aquela palavra...

Dá última vez que vi, ela estava embebida em um barril.



Não quis tocá-la para não despedaçar o que sobrou dela.


Uma tela virginal a espera do acidente do artista.


Mas este coração já não espera nada..

Ah, sim! Claro.. Era amor a tal palavra

Da qual não falo, nem sinto


Mas que tanta falta ainda faz.