domingo, 12 de março de 2017

Entre outras mil

Violentas rajadas balançavam a copa daquela velha árvore

Como desejo efêmero do destino se lançando sobre as folhas,

Eis que rompe de seus nós uma -auto julgada frívola- folha

Acometida às incertezas do acaso, faz-se encolhida

E levada ao vento nos braços, fez-se entendida

Embora saudosa de seus galhos, entendeu a vida.


Quanto ao vento, decidido de partir, cessou.

Restou, para a folha, o tempo que não a abandonou

Se viu em queda livre e lenta, pois seu companheiro a atrasava

Tomou força e o deixou por medo de ser deixada

Já com a face em terra firme, concebeu os céus distantes

Assim como também aquelas copas

Viu os ventos que a violam e as horas indo embora,

Fez-se inexistir em folha pra renascer a própria flora.




Sua metamorfose a fez livre e feliz.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Vou por aí.

Eu tenho uma coleção de moedas
E há muito isso é tudo que eu realmente tenho.

Pois já era tarde para todos aqueles amores.

Eu tenho amigos, mas eles são em si, não meus, mas comigo.

Tenho tido gratidão, só que mais por consequência do que ocasião.

Não tenho tido a mocinha para ser de fato herói, porque ninguém precisa tanto de um
Nem eu também de ser.

Sou um qualquer andando por quaisquer estradas, ruas e vielas

Isso não é de todo mal, eu enfim estou completo de mim mesmo,

Mas tudo que tenho é, de fato, uma singela coleção de moedas.