quarta-feira, 18 de maio de 2016

Moça do sorriso bonito.

Havia um moço triste, ele estava abatido por ter seu coração feito de brinquedo. Pois que a moça do sorriso bonito apareceu e alegrou não só o dia daquele rapaz, mas todos que se sucederam.

Outra vez uma mulher de coração amargo, ao encontrar com a moça do sorriso bonito adoçou-o não só aquele dia, mas todos os que se sucederam.

Houve o caso de um estranho coração de pedra que ao encontrar com a moça do sorriso bonito, derreteu-se não só por aquele dia, mas todos os que se sucederam,

A menina do coração partido ao encontrar com a moça do sorriso bonito se completou de felicidade não só aquele dia, mas todos os que se sucederam.

Um velho de coração calmo ao encontrar com a moça do sorriso bonito se reanimou não só aquele dia, mas todos os que se sucederam,

A moça do sorriso bonito andava por jardins e todas as flores inclinavam para felicitar sua passagem, os pássaros observavam de perto e não havia em sua existência quem encontrasse com ela sem sorrir a pura sorte.

Ela foi tão feliz em distribuir seu sorriso bonito que seu coração bate hoje em cada um daqueles que receberam seu sorriso até o dia de hoje e também os que se sucederem.


Em memória de Brenda Rezende 

Dos teus olhos castanhos

Teus olhos tentei poetizar
Pois se os azuis remetem o mar,
Os castanhos sabiam nadar
Um vinha para inspirar
O outro romantizar

São de terra, de carvalho
Bronze, cobre e dourado
Sua água é doce chuva
Do sereno é o orvalho
Brisa fria em alto-mar

Clarão que chega cedo
Eu já quase não percebo
Que eu estive a navegar
Nos teus olhos que eu não vejo
Mas que eu gosto de lembrar

Um remoto passado
Quando podia os ver passar

Tinha sede de paixão
Pois que vivo solidão
Abria os olhos, tua retina
E tinha, da janela da menina,
Um resumo do coração

Era a face do amor
Que eu sempre hei de encarar
Pois sem ele só há dor
Que não há de se curar.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ressaca

O mar está de ressaca
Bebeu tanta tristeza
Que se afogou em solidão
Talvez menos doses dela
E ele ainda estaria são

Mas não pude evitar
Num momento de angústia
Mergulhei em ti, ah! mar
Não tive o intento de te embriagar
Mas só assim pude me desaguar

Fiz de minhas lágrimas tu'aqua
tão salgada e tão sensata
Que por pouco não bebi
Tão logo entrei, sorri
E então lá deixei minha mágoa

Despido trajado de ti
Tranquilo partindo de nós
Eu e o mar estávamos a sós
O mar te pediu e eu assenti
Ela ficou e eu me despedi

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Não há temporal

Não dar-te-ei gostos piores dos que já provei
Estes  fazem-me enjoar, lamentar e sucumbir

Peço-te que deixes apenas os papéis escritos de carvão os rabiscos teus, mesmo que te agrades ou a mim, ou meu coração.


Portanto, façamos do que vivemos apenas memória, não escrita, não pintada, teus desenhos hão de desbotar, mas não far-se-ão de lamentos, apenas velhos registros.

E antes que perguntes, responder-te-ei que sim, teus pesados passos delicados hão ecoar todo mosteiro, far-me-ão cantar, ou não. Por amor que terá sido decidido em nossa história uma canção.

Ao passo que teus passos hão hesitar a ele e correrdes-vos uns aos outros eu e tu. Para que então, naquele abraço se me desses, desestruturá-lo-emos o espaço todo.

E em mim viverás tu porquanto há de ter no que de teu ainda me faço, ou me coração bater, ou me entrego ao acaso.

No sorriso dela

Hoje queria te trazer aqui
E conversar,
e abraçar,
Te fazer rir
e rir;

Mais ouvir do que falar,
mas falar,
Mais ver do que ser visto,
mas ser visto
naquele sorriso seu,
e rir.

Dizer coisas bonitas,
Me encantar com seu encanto
E até levar embora
Ter que me despedir
e rir.

Voltar para casa
Antes de dormir, ligar,
Dizer besteira qualquer
E rir

Enfim deitar
No remanso breu 
saber que meu riso era ela
e o dela era eu
então também poder enfim somente
sorrir,


e sorrir.