segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Papel pardo.

Já não sinto como costumava. E a noite cinza parece vasta e tão imensa quanto o azul do céu.

E eu quis tanto ser de novo que me deixei escravizar por minhas próprias leis.

E só que, naquele instante. Como a queda de uma folha da árvore que estive ancorado à sombra para descansar, tivesse caído e posto sobre mim uma nova música.

De repente. O acaso, O desejo, A vontade, O impedimento, O fascínio, O desejo.

Vou tentar.

Porque a vida é breve demais. E de todos os bloqueios que me impedem, os meus são ainda maiores.

Achei que eu devesse ser escrito como folha em branco. Mas a verdade é que sou como um envelope pardo. Mas que, por sorte ou por acaso, alguém tomou pra rabiscar. E ainda que breve, ainda que escuso, tentarei me deliciar o prazer de ser tomado outra vez pela... Esperança?
Enfim.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Estrelas Vegetais

Me diz
por que o céu mudou de cor

Talvez
vai ver que ele só desbotou

Como verniz
Que com tempo craquelou

Então refiz
Com cerdas de um pincel pintei

Como Aniz
Estrelas vegetais eu sei

Dos sonhos e desejos vãs

Você era o que mais amei

Mas me pediu "deixe-me ir"

E eu deixei (...)

domingo, 28 de julho de 2019

amalgamo desejo

Contei cada história
enquanto estive ébrio
E se pudesse reescrever
Faria sem mistério

Assim fora de casa,
me impus feito alcoólatra
aquele impulso ávido
ouvi cem outras vozes
Levando todo álibi
em uníssono
num ímpeto de um bêbado
falei como um patético

E a tônica da música
tocava sem propósito
E a noite feito máquina
seguia uma dinâmica

Nós dois em meios termos
Numa noite de sábado
Sentimos o fenômeno
Em sons monossilábicos
O Sol amanheceu
E trouxe um vento trágico

Mataram uma árvore
sem golpes de machado
amalgamo desejo
efêmero era o beijo
O sonho desperdiçado.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Porvires

Está tudo bem!

Já sem alarde, acalme.

Que pressa tanta é essa
Que tanto passa depressa
E por mim, num ritmo desenfreado
De repente
Para e olha p'r'o lado
um curto "oi"
vê-se a fenda entre estes lábios
Meu humor, em resposta,
é reescrito como num palimpsesto
cujos olhos não podem apagar
Sigo meu caminho contrário

Que tanta pressa
Que tanto drama

Pois bem da verdade que as pedras não amam?
Louco!
Loucos são os que enxergam o mundo
Onde a lucidez é insana.

Outro dia
E o peito exprime o que a mente silencia

Sim, bem que eu queria.

Mas não era real ao mesmo tempo.

Então me despedi da emoção.

Mas não há dor neste momento.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Satélite em órbita.

Tracei em volta da lua uma linha branca de giz

Determinei meu próprio equador para que não ultrapasse os limites entre o norte e o sul

Mapeei meus graus e horas para estar conforme e de acordo

Mas meus polos opostos me atraíram.

E eu, com medo de enfrentar a força que vinha não sei de onde, saí de órbita.

Assim, vaguei solto ao seu redor como satélite
Vago no espaço, de corpo inerte

observando o traço feito um anel de pó de giz

Com medo de que a reentrada me obrigasse a escolher um polo e, por consequência, renunciar ao outro.

Então, no silêncio do cosmos que descansa enquanto expande, adormeceu.
E sonhou com uma escolha em que, de alguma maneira, havia o encontro entre o norte, o sul e eu.

Pois o traço embaraçoso que fez se foi com o tempo.
Curioso que se achou no instante em que se perdeu