segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Dos dias que não me cabem tanto
Os dias passam e os dessabores vêm. Não há nada para dizer, apenas a angústia que é ter de suportar a rotina
O clique de um relógio, o interminável feed, as redes sociais, as notificações, propagandas e aquele eterno vazio no peito.
Me entupo de remédios para me suportar. e suporto por todo mundo, mas que mal é ter de ser assim para mim mesmo.
Ainda existem aindas, respostas que nunca virão porque algumas coisas na vida não existem respostas que não o costume de conviver com tudo aquilo que não queremos.
A imensidão parece tão mais calma que o silêncio do meu quarto, exceto pelas goteiras e pingos de chuva na janela.
Ligo o ventilador, o motor está velho e falta lubrificação, seu barulho cobre os outros.
Assim durmo num caos que eu invento para inibir a ordem que me empurram garganta abaixo.
Mas, como eu ou a chama de uma vela fraca que se apaga, do escuro vejo de quando em quando um vagalume. Eu o pego, o salvo fora do meu quarto e em seguida me arremesso indelicado na cama como quem pedisse pra cair do 18º andar.
É insuportável observar tudo o tempo inteiro
Mas nunca ser o bastante
Ou o suficiente.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Pretérito imperfeito
O coração, que do pretérito assinalava o nome teu, tem agora as chagas eternas que nunca hão cicatrizar.
Se um dia conheci, do amor, Eros, Philia e Ágape, hoje me afogo nas perguntas infinitas sem respostas
Talvez porque todos eles colidiram num chiado de mil megatons. E o apocalipse me tragou.
Talvez o amor se renove, se reinicie, amadureça, ou se dissolva. Talvez em dez anos ou mais anos
Mas persisto em mim, com toda dor, todo amor e o contudos que terei de conviver.
Para todo e sempre,
Eu.
quarta-feira, 24 de novembro de 2021
Contra a maré
Senti a brisa vindo do alto mar
tocar meu rosto. Naquele instante era bem-vinda. Avanço mais um pouco. A areia,
antes fofa, dá lugar à outra firme e úmida. A água fria toca meus pés me
convidando a entrar.
Segui bem-vindo confortável até
demais. O vento se adequou inconformado e soprou para me atingir, trazendo
consigo gotículas que me lembraram o sereno ou fina garoa das longas madrugadas.
O mar se agitou, parecia agora
desconfortável com a minha presença. O vento mudara o clima, o tempo e o mar se
arritmou.
Estava agora com a água até o
peito. A pressão sobre os meus pés era um afago, o frio parecia ser uma única
linha onde a flor da água tocava minha pele nua.
Me distraio
Tarde demais, vejo uma onda
quebrando sobre mim, seu agito violento, as escumas cândidas, a areia pálida, o
sol avermelhado e o sal demasiado.
Me afoguei por completo, esqueci
de molhar os punhos, perdi o controle.
A maré me levou ao raso.
Agora estou a salvo, mas dentro
de mim ainda há o gosto das desventuras do alto-mar.
Novafala
Enfrento este não-lugar
e a fuga dos ecos que duplosmaisnãobonspensamentos trazem
assim, se tardar o meu sentir, me desimporto
achando-me num eterno dessentir
aos poucos me impessoando