sábado, 25 de maio de 2013

Talvez ela nunca tenha dado conta de que foi a última esperança daquele homem.

Ela nunca vai entender o valor que ele depositou nela.
Foi tudo tão estranho. Foi como rezar para se ganhar na loteria e no outro dia achasse uma moeda e decidisse apostar... Você sabe que tem chances, mas não faria.

Pois bem, ele fez e ganhou.

Ela chegou arrasada de uma despedida, para encontrar o seu verdadeiro amor, até então sutil e falsamente esperançado..

A moça de sorriso misterioso chegou como um arco-íris findando tempestades. Revirou o mundo do pobre rapaz que há tempos não sorria e lhe entregou uma esfera de vidro que o encantou por o fazer enxergar o mundo de ponta cabeça, sem saber que o que estava às avessas era ele mesmo.

A cada dia, sem perceber, eles se aproximavam cada vez mais. Coincidências e diferenças, só os apaixonavam mais. Embora houvesse um cuidado maior para cada qual e outro, para que não fossem vítimas de vossas ilusões.

E foi assim, foi assim até o dia em que foi anunciado uma distância a um gélido linear.

As esperanças se foram junto com o luar, e as estrelas fugiram como bichos sem vontade de viver.

E o dia nunca chegou.

Um dia chegou ao fim, e após isso o nunca acabou.

Agora o sol se revelou.

sábado, 6 de abril de 2013

Minhas memórias póstumas.


A sola do seu calçado era de madeira. Como o piso que sentia-se agredido por tal, que contava o tempo, ritmado ao som pesado dum piano bem afinado e tocado com perfeição, que fazia a cena parecer um filme de ideologia utópica. Por ter os raios de sol invadindo a sala pelos enormes vidrais que emparedavam o ambiente muito  bem arquitetado.

Talvez um desenho não fosse bom para resumir a perfeição da visão que se tinha do vidro emoldurado em velha madeira.
Mas que bonito era o rosto daquela garota que faz soar aquelas notas consonantes e melancólicas.

Talvez ela esteja inspirada em sua alma, talvez a música seja um pequeno grande fragmento de seu espírito. "Seu rosto angelical e doce tem me feito triste. "
Disse o homem de garbo, mas sem resposta, resolveu desistir de outra tentativa. Começou então a dançar com os braços levantados, como se alguém estivesse o acompanhando naquela triste valsa.

Ele girou a sua esquerda, passando por entre os raios de sol e revés.

Girou de volta à penumbra, à mesma medida em que ficava nítida a imagem do negro vestido longo da mulher que o acompanhara naquela valsa.

Havia anjos enchendo o ambiente e tudo estava monótono e deveras ritmado.
O único contraste era o breu do vestido, que estava transparecendo aos poucos.

A única que se mantinha firme e concentrada era a doce pianista, que parecia ter sido tirada de uma pintura renascentista. Era perfeita a guria. Desmaiaria qualquer mortal que não pudesse acabar com sua beleza, já que mortais não sabem apreciar sem destruir.

Era o que não pensava aquele homem que valsava bem ordenado com uma linda senhora bem lineada que aparentava não mais de trinta ou quarenta anos.

Mas como o fim é esperado a todos, a valsa foi se cansando dos bailarinos e os fez emudecer.
Dançaram e dançaram..
Até que se misturaram às notas, e os raios de sol foram dissipados entre a bruma que se formou de lugar nenhum, mas que envolveu cada par daquele fúnebre baile.
E quando ninguém mais notou, não havia mais ninguém na sala. Nem bailarinos, nem anjos, nem sapatos. Apenas o eco de cada tecla do piano sendo fortemente tocada e os lindos raios de sol tocando o chão de madeira muito bem polida.

Todos ali não existiram, exceto um. Que não ficou para nos contar como foi ter valsado sua própria despedida ao som de seu anjo protetor.

Que dor é se perder em seus delírios. entretanto, pior é delirar de  dor.


Aqui jaz uma memória;
É uma dor completa permeada por delírios.


Aquele homem nunca viu outro raio de sol.

Talvez tudo tenha se passado no meio tempo em que o homem perdia os sentidos e encontrava o chão.



Constatado o óbito: 03/10/2013 às 15:42
(bradipneia irregular, congestão traqueobronquial,hipotensão arterial resultante de overdose por Fenobarbital).

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um passo a frente, um olhar de nostalgia proibida.



Sinto o amargo da minha boca sendo posto em brasas. Acho que é meu coração batendo forte demais, esquentando o que já tampouco era morno.

Mas que curioso e desgraçado é o ser humano. Enquanto sozinho, anseia por algo, e quando bem, não sabe como dar o próximo passo.

Entendi!


Enquanto não se tem nada, somos trilhados pela busca incessável do que quer, sem que ninguém interfira.

Mas quando você tem o que deseja, não tem o quê desejar. Você passa simplesmente a não existir. Porque o que é inerte, não existe.


Eu estou desacelerando, sentindo de olhos fechados, cada pelo do meu corpo enrijecendo com a violência que meus pensamentos estão tomando.

Agora é tarde, a confiança foi herdada àquela que não fez jus ao seu amor e agora chora por não ter nenhum.

A morte vem como a dama do vestido negro tal quais são seus olhos, profundos como a noite escura que amedronta e amadurece toda criança e engana os marujos, que erram as rotas e afundam seus navios bem tripulados, tornando-os náufragos da solidão.


As bolhas sobem, meu corpo afunda
Tento achar algo em que me segurar e não consigo tocar nada.
A água é muito gelada e eu entro em desespero
O escuro me abraça e me convida à uma valsa fúnebre que eu nunca aprendi
Heis que a luz veio de cima para nutrir o escuro e me levar à saída daquele lugar.

Se aquilo era um útero e eu acabei nascendo, queria eu ter feito pouco para tal.
Seria talvez proveitoso ter sido o apoio de outrem que propositasse de maior valor que eu.
Ou a luz nunca foi o caminho e eu fechei os olhos para o que me salvou?

Que lindo é gozar da vida o que pondera. Pudera eu ter me afogado.
Mas os raios de sol me levantaram dessa vez.

Eu não caí de um precipício, eu não me afoguei, eu não morri, eu não matei.


Mas estou vivo mais um dia.
Para esquecer tudo e viver o primeiro dia do resto da minha vida e infelizmente para lembrar de cada gota do ácido líquido que me toma em cada passo.

É impossível seguir em frente sem carregar os pesados fardos que o passado presenteou-lhe outra vez.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Em regras


tu és detentora das palavras nas quais anseio derramar
e em prantos esgotados e febris
ao qual o canto me acalenta nas tardes mais sutis
consumiram todo nosso tão precioso ar
de um verão decapitado hora a hora e ora,
por que não agora?
se não há de sermos, 
releve então e vemos
que o pra sempre sempre muda
teremos entre nós a própria ajuda
e agora o que passou não mais ficou
desde aquele momento em que você me fitou
e o que ficou não vai passar,
mas que um dia vamos nos casar 
e todas as regras vamos quebrar

Começamos assim a namorar
Desde muito antes até agora
o que já não me fazia chorar
agora é eterno, sem tempo, sem hora
E assim esqueço de rimar.
Aproveitei o tempo livre e a garganta em chamas pra voltar ao espaço em que minhas memórias de outras vidas foram deixadas por mim e a mim.
Eu só peço um tempo infindável, porque não me permito acostumar com o que se vai..

Eu estou de visita ao mundo que eu habitei por muito tempo e posso afirmar que é escuro, sujo, dolorido, lacunoso e de um breu absoluto.
Talvez eu nunca devesse ter saído daqui, mas eu ainda posso me lembrar daquela tempestade me revirando e desdobrando meus sentimentos com toda agonia e quando já estava exaurido, pude sentir tudo se acalmando e sim.. como foi lindo observar a luz que invadia esse meu velho mundo e trazia a imagem de um emaranhado de sentimentos e esperança inútil, mas que eu quis tentar arriscar e apostar na minha ínfima chance.

Lembro da evolução musical também. Cheguei e iniciei minhas notas repetidas e de forma arrastada como sempre. Acho que cada baqueta tinha o peso de uma âncora pequena o bastante pra estagnar o planeta.
 Mas surpreendentemente eu recebi uma notícia em meio à uma música e outra, que me fez abalar as estruturas e não saber exatamente o que dizer.. O que me preocupou, já que nunca acreditei(ou até então) que fosse possível.
À partir dali, meu braço ganhou alguns centímetros, perdeu peso e eu mal sentia minha própria velocidade.
Talvez o som não estivesse soando dos tambores, e sim do meu peito.

O tempo passou tão rápido aquela noite.
Quando percebi, havia conseguido te tirar um sorriso em meio ao pranto e dor.
Fiquei tão feliz quando disse que eu havia conseguido te ajudar de alguma maneira. Não pude conter a ansiedade que me tomou por querer encontrar você de novo(e de novo e de novo). E ai quando eu finalmente pareei o olhar com você...
...
Travei.. E nada que tivesse muito sentido me veio. Ainda bem que alguém teve a ideia de colocar antigas fitas.
Naquele tempo eu não sabia o que dizer, mas sempre saberei que o seu doce favorito é quindim.

Talvez não tenhamos tempo de viver tudo que queremos, mas quem sabe teremos vontade de viver o tempo que quisermos.

Aos poucos fui apenas me deixando inclinar ao seu encanto e fui deixando claro aos poucos tudo que eu sentia.
Aquela festa, aquele beijo, a aproximação depois disso. aos cinemas e continuações não premeditadas pelo menos por mim.

Ao meu coração que ainda acelera quando ouço sua voz, sinto seu cheiro, vejo seu lindo rosto, sinto seus lábios perfeitos e o beijo que tem o melhor gosto do mundo.

Às vezes ultrapasso nosso espaço, mas eu queria que o fizesse também. Não quero que tenha medo de dizer pra sempre ou nunca.

Quero que saiba que hoje eu já tenho você como prioridade, e este espaço vazio e solitário está sendo interditado. Não espero voltar aqui tão cedo, e sinceramente acho que não vou conseguir(enquanto estiver com você)

Voltei pra me despedir de uma vez por todas.
E claro, sabendo eu que ia te pedir em namoro, vim pra cá com o intuito de que você tenha o mesmo impacto que teve quando se aproximou de mim pela primeira vez.
Pra me tirar do mundo triste em que vivia e que me dê esperança de fazer o mesmo por você.
Vim pra cá pra não perder a essência que tivemos em nosso primeiro beijo.

Pra ser sincero, não estive feliz a todo momento, mas os piores momentos foram alegres perto do que o que eu já havia tido antes de você.

Eu perdoo toda consequência que tive. Perdoo tudo que disse que arcaria e esperei não acontecer.
Mas agora eu só espero ser único, porque você é única pra mim.

Vou sair daqui quando seu coração for meu. Por hora, vou apagar a luz e sentar no chão. Estou esperando sua vividez me acordar e me tirar daqui mais uma vez.

E eu arrisquei tudo por você somente para que um dia eu pudesse dizer que valeu a pena.
Pra ser sincero, eu sempre soube que valeria, mesmo com minhas mínimas chances.

Acho que nem eu esperava por isso.

Hoje estarei assim, pra que eu me dê conta de como você aparece nos meus piores momentos e traz a manhã que dissipa aquela maldita tempestade que encobriu toda a minha existência, além dos primeiros raios que luzem meu céu, traz também esse lindo e harmonioso arco-íris me mostrando como e pra onde prosseguir..

Hoje o arco-íris não foi embora como era esperado, ao invés disso ele me mostrou o pote de ouro findando-o.

Beatriz Ribeiro de Souza, eu te amo!
Você me ama?

Sendo assim, quer namorar comigo?



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