quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Atol

Suas canções são como areia fina de uma ilha..
Um só sopro e se dissipa pelos mares
Não tem nada demais, mas não tem nada de extraordinário em seu sentir.

Me lembro de tudo que fomos, porque só um de nós sentiu como um universo, o outro insiste em areia fina e clara
Malfadada à coisa alguma

Eu não posso fixar minhas raízes em uma ilha
Sou maior que isso, querida, sou paixão, sou amor, sou amarras...
E você é.. só uma ilha

Campanha

Sou uma bomba relógio
Toda manhã reiniciada

Sou uma arma contra a cabeça
E ela está municiada

Um soldado em campanha
Perdido no campo de batalha

Onde inimigos sem face triunfam
Porque a fadiga me atrapalha

Quem sou?
Alguém prestes a cair
Uma tolice, uma memória

Dentre guerras
Sou derrota
Fracasso sem vitória

Sob a porta

O vinho tinto escorre em minhas paredes e encrostam o meu chão

Jogo meu corpo e lavo a alma deitado ali, chafurdado na ilusão

Enquanto vejo sob a porta as sombras de vidas que seguem sem sequer me doar o mínimo de atenção

Meu amor é perigoso

Terça feira. A noite cai com o vagar de uma cruzada medieval
Eu sigo meu caminho e (exausto) trilho meu caminho. Mas na volta eu vejo tudo destruído
Não há nada no lugar. Há um rastro de desconfiança que sou capaz de farejar no ar carregado que se instaurou em mim.

A razão? Não há!

Podem revirar todas as minhas tumbas e exumarem meu corpo. Só vão encontrar dor e solidão. Mas o motivo pelo qual vieram não existe. E isso só me machuca.

Eu sinto muito. Eu não posso ser melhor e não consigo não estragar tudo.

Sinto muito.

Eu não quero e não vou retaliar.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

canção do olhar

os foliões tentaram, mas havia no centro da frança ou do Peru um sorriso que calava o mundo
Seu olhar discreto e sua voz afinada e doce me embalaram melhor do que mil tambores regrados.

E eu sorri por dentro, mas só enquanto a sua melodia soava.