sexta-feira, 24 de junho de 2022

O medo de formigas, não de grilos

 Encontrei por aqui uma vívida e animada esperança. Ela se alimentava das pequenas folhas do jardim e descansa sob a luz do sol. 
E eu, de egoísta, tratei logo de me deixar apegar. E a esperança pousava livre e calma em mim.

Dei àquela esperança o nome de amor. Parte por ela gostar das folhas de amora, ora porque há sempre esperança no amor.

Dia desses eu pensei em carregá-la comigo, mas  meu coração anda fraco, sem ritmo. 

Mas talvez levar amor consigo não fosse má ideia. Talvez me tachassem de louco, mas quem sabe por acaso encontraria entusiastas da esperança. Assim me acompanhariam sem julgar.

Bem, numa dessas tardes em que os raios de sol atravessam a janela eu decidi liberta-la. Então de peito carregado eu a deixei livre. E naquele momento fui feliz. Restringir amor para si sufoca também a esperança  de ser feliz. 

E agora vivo meus dias.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

O nome de uma estrela qualquer

Há um rosto grafado nos céus

E ele grita de saudade ou apatia


E a lua se avizinha de uma estrela que talvez você saiba o nome

Ou talvez eu possa inventar algum pra ela.

Fato é que tanto a lua quanto a estrela são solitárias, vivendo cada uma na imensidão do cosmos

vagando por aí sem rumo.

Quase tão vazias quanto meu quarto

Quase tão solitárias quanto eu


quarta-feira, 23 de março de 2022

Dos sonhos que 'inda levam sua beleza

No topo de uma montanha

te deixarei com a melhor parte de mim

para que você decida

o que será de nós


Caso queira, me empurre do alto

para que eu aprenda a voar em fim


Mas caso queira, caso realmente queira,

que possamos nos beijar à beira do mundo

onde só as nuvens sejam testemunhas
de nosso segredo.


E se o vento se enciumar

ou encontrar uma maneira

de nosso esconderijo sabotar

soprando para o mundo veja


O deixarei sussurrar como brisa

dizendo a todos o quanto a amo

e pintarei os céus da cor 

dos olhos de quem me beija


quarta-feira, 16 de março de 2022

A criança e montanha

Havia uma criança subindo o alto de uma montanha

A neve fria e vento forte não a deixavam em paz

Ela não perdia de vista a trilha em que seguia, mas não podia ver nada ao seu redor,

Sequer o caminho que deixou pra trás quando decidiu tocar os céus.

Hoje acumula tantos pontos finais que o anoitecer parece crepitar fagulhas 

Parece só poder enxergar o caminho que continua a trilhar

Sem saber nunca se o caminho que deixou pra trás a levaria às estrelas