terça-feira, 19 de julho de 2022
sexta-feira, 24 de junho de 2022
O medo de formigas, não de grilos
Encontrei por aqui uma vívida e animada esperança. Ela se alimentava das pequenas folhas do jardim e descansa sob a luz do sol.
E eu, de egoísta, tratei logo de me deixar apegar. E a esperança pousava livre e calma em mim.
Dei àquela esperança o nome de amor. Parte por ela gostar das folhas de amora, ora porque há sempre esperança no amor.
Dia desses eu pensei em carregá-la comigo, mas meu coração anda fraco, sem ritmo.
Mas talvez levar amor consigo não fosse má ideia. Talvez me tachassem de louco, mas quem sabe por acaso encontraria entusiastas da esperança. Assim me acompanhariam sem julgar.
Bem, numa dessas tardes em que os raios de sol atravessam a janela eu decidi liberta-la. Então de peito carregado eu a deixei livre. E naquele momento fui feliz. Restringir amor para si sufoca também a esperança de ser feliz.
E agora vivo meus dias.
segunda-feira, 18 de abril de 2022
O nome de uma estrela qualquer
Há um rosto grafado nos céus
E ele grita de saudade ou apatia
E a lua se avizinha de uma estrela que talvez você saiba o nome
Ou talvez eu possa inventar algum pra ela.
Fato é que tanto a lua quanto a estrela são solitárias, vivendo cada uma na imensidão do cosmos
vagando por aí sem rumo.
Quase tão vazias quanto meu quarto
Quase tão solitárias quanto eu
quarta-feira, 23 de março de 2022
Dos sonhos que 'inda levam sua beleza
No topo de uma montanha
te deixarei com a melhor parte de mim
para que você decida
o que será de nós
Caso queira, me empurre do alto
para que eu aprenda a voar em fim
Mas caso queira, caso realmente queira,
que possamos nos beijar à beira do mundo
onde só as nuvens sejam testemunhas
de nosso segredo.
E se o vento se enciumar
ou encontrar uma maneira
de nosso esconderijo sabotar
soprando para o mundo veja
O deixarei sussurrar como brisa
dizendo a todos o quanto a amo
e pintarei os céus da cor
dos olhos de quem me beija
quarta-feira, 16 de março de 2022
A criança e montanha
Havia uma criança subindo o alto de uma montanha
A neve fria e vento forte não a deixavam em paz
Ela não perdia de vista a trilha em que seguia, mas não podia ver nada ao seu redor,
Sequer o caminho que deixou pra trás quando decidiu tocar os céus.
Hoje acumula tantos pontos finais que o anoitecer parece crepitar fagulhas
Parece só poder enxergar o caminho que continua a trilhar
Sem saber nunca se o caminho que deixou pra trás a levaria às estrelas