quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Exílio

 

Quatro cordas

Dissonantes dimensões

Aquela música que eu escrevi e não mostrei a ninguém

O medo de reler as velhas páginas do diário proibido

A saudade de não sei o quê

O isolamento voluntário é, em verdade, o exílio que me forço

Um pedido de ajuda velado

Que ninguém sabe atender

Mas suponho saber

Dos dias mais seguros

Enquanto hão de vir

Os obscuros

Que tanto

Tento

fugir 


domingo, 21 de junho de 2020

Memento Mori

Uma fulgura propagada com alguma intenção sutil.

E de tempos em tempos se arruínam e me levam para qualquer lugar longe daqui. Onde, desta vez, por sorte eu talvez não esteja.

Não há como envaidecer o momento.

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terça-feira, 9 de junho de 2020

Entre o aroma e a correnteza

No meio de uma floresta há uma cabana.

Mas até chegar ao centro, percorre-se sobre as folhas e galhos secos que crepitam e anunciam sua chegada.

Os troncos úmidos são donos de histórias que inúmeras vezes, mas não sabem contar.
Os limos são tão presentes quanto a luz que chega. E as copas de tons alaranjados e outros ainda verdes conspiram sussurros, te inspiram a tomar um lugar para ficar.

O som das águas não distantes revela a nascente próxima. E também que a verdade está sempre ali depois das árvores que se podem enxergar. Talvez o som fluído seja tão transparente quanto a água que, dia a dia, se esvai corrente abaixo.

Caminhamos tanto que a cabana já está próxima.
São troncos rijos e seguros que tornam o lugar tão confortável quanto a paz do lugar.

A ação de entrar é tentadora, afinal a chaminé anuncia o aroma adocicado das ervas aromáticas que compõe o chá de tanta espera.

Mas me divido entre estar, sentir, fugir e tantos outros mil que não sei bem o que é mais adequado.

A paz não está em ver que o inimigo jaz. Mas que eles estão ocupados demais amando para infligir qualquer mal.

É no caminho que me vejo. Qualquer coisa entre a correnteza que se aproxima e o aroma Confortável.

Talvez as árvores me digam o que sussurram e, por fim, guardem o segredo por mim.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Kronômetro

Já não sei bem dizer o que me ocorre com tanto tempo que flui como sangue em mim.

É como se eu soubesse que sou outra pessoa, que mudei e que as coisas mudaram também.

Veja que a distância virou rotina e as previsões de melhora são nada além de previsões.

O mundo de provou melhor sem as pessoas. É um triste mensagem ou presságio.

E em minha simplória evolução, condiciono o nada com o comum.
Sou o mais do mesmo registrado toscamente aqui com o eterno medo de ser esquecido.

E talvez por isso me adiante tanto. Porque a ansiedade não é um bicho de sete cabeças, mas um monstro como uma hidra que tem suas cabeças multiplicadas em cada corte.

Clepsidra. O tempo roubando nossa vida.

E meus passos na direção correta são sempre atos de um processo sem volta. Eu caminho para o mesmo lugar. Meu destino não muda com a troca de direção.

Sou um eu perdido no meu mundo, que agora é um pouco mais meu em razão de toda tragédia que o mundo se meteu.

 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Erosão

Tô aqui

E quem me olha passa a crer que sou definitivo

Não percebem que o tempo passa e deixa acumular no canto a angústia que a vida é

Como um processo de erosão

Que tanto me corrói

Deixando exposto a carne, toda dor de um alienado coração

E me perco

Lamento

Me vou aos poucos

Estou partindo aos poucos

Mas não agora.