domingo, 19 de março de 2023

Nos olhos da manhã

Ainda é manhã quando todas as coisas repousam sob a brisa fria que amansa o dia

As flores não acordaram e os sons vêm tímidos romper o silêncio de antes.

A face do céu azul ancora o brilho esplendoroso que acaricia sua tez.

Já agora os pássaros cantam de maneira suave, grilos tilintam como pequenos sinos em conjunto

Toda harmonia desperta as folhas verdes para receber do sol, a luz.

É tão calmo que fechar os olhos me arrebata à sua face. Tão clara, de olhos tão belos.

Nenhuma beleza jamais foi parecida com a dela.

Tomo meu café forte, meus lábios premidos e o sabor enclausurado em minha boca.

Que sorte foi ter tocado teus lábios.

Que amor foi ter vivido aquelas manhãs dos olhos teus.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto

O ato de escrever é tornar indelével o que se manifesta

Revisitar a escrita é retornar no tempo. 

É estar naquele lugar revendo o cenário, sentindo os cheiros, sabores e texturas.

É experimentar o desejo, o beijo, a dor, a despedida, o desespero.

É ter com quem já virou história.

E reviver tudo que não lhe cabe na memória.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Campanário

 Ali no alto do campanário daquela velha igreja eu pude observar toda a cidade.

Imaginei que aqueles enormes dormentes da estrutura eram centenários e, por ali, eu havia visitado inúmeras vezes ao longo dos séculos com o mesmo prazer de simplesmente estar ali.

Naquele lugar de onde eu observava as pessoas eu não era visto. E enquanto os sinos soavam eu podia chorar sem ser ouvido.

Mas o vento que tocava meu rosto era intrigante. Secou as lágrimas e renovou meu ar. Quando os sinos emudeceram vi as ruas, pessoas, sons e sorrisos. 

Então tive mais um motivo para estar. Sempre tenho um motivo para estar.

E permaneço. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Ser só

Ouvi aquela voz... Aquela voz se cala... Ela que me embarga... afoga a alma... E quando estou a sós... O peito aperta... A quem acompanho... A quem deveria acompanhar... 


Queria luz da manhã, Querido primeiro raio de sol, pinheiro que deixei de cultivar. O que estou fazendo de mim?


Eu continuo. 

Só, continuo.




quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Hodierno

 Finjo viver uma obra que eu mesmo compus


É a única maneira de ter controle sobre tudo


E ser eterno

E ter a todos para sempre


Nunca sucumbir ou desperdiçar o tempo


Mas acordo todos os dias


Com medo ou coragem o dia chega e é sempre um novo acaso.


O capricho é mesmo algo esquisito.