segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Como água para beija-flores

 Me peguei observando o céu durante o dia. Um beija-flor voou ao longe da paisagem e pousou livre num galho daquela árvore.

Lembrei de observá-los em companhia. Me lembrei da dona de olhos grandes e claros que me visitaram recentemente.

Fui até o nosso bebedouro de pássaros que de tanto tempo abandonado estava refém dos maus tratos do tempo.

Pois bem, eu o lavei e cuidei. Preparei a solução com pouco açúcar e pendurei na mangueira com a esperança de receber visitas bem vindas.

 De tantas visitas aguardadas, uma mexeu mais com o meu coração. Acredito que o fato de eu estar aqui escrevendo, pensando ou lembrando dela é fato para dizer que talvez eu ainda seja disposto aos romances.

Mesmo sabendo que meus finais são desastrosos, sempre insistirei em sorrir receptivo às emoções capazes de me inspirar a cuidar de mim e do meu lar. 

Como se repor o bebedouro ali fosse um passo importante para me identificar aberto e esperançoso de reviver.

E sigo bem, sentindo o coração reaquecido como se sua simpatia fosse alimento suficiente para movimentar um motor que eu acreditei estar enferrujado por desuso. 

É bom sentir isso novamente. E foi tão rápido que me restrinjo de ser tudo de uma só vez.

Quero ser aos poucos para não nos assustar com repentino golpe.

Ainda vacilo quando sinto seu cheiro em mim.

E até nos sonhos te encontrei. Mas feliz foi despertar ao lado teu.

  

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Direção concreta

Estou indo embora

Porque todos estamos enquanto seguimos a vida trilhando caminhos.

É como quando estou parado com meu carro no semáforo. Não importa pra que lado esteja a seta, o caminho será sempre a única direção.

E meu eu é renovado a cada dia. Me despeço de ontem, saúdo o amanhã enquanto enfrento o hoje.

E o amor, como uma surpresa boa que transita pela vista bela na paisagem foi bem-vindo antes mesmo de sê-lo. Pois sou liberto e já tranquilo para ser.

Eu permaneço. E sempre haverá um amanhã.

Sigo caminhos concretos e isso me basta.   

sexta-feira, 24 de junho de 2022

O medo de formigas, não de grilos

 Encontrei por aqui uma vívida e animada esperança. Ela se alimentava das pequenas folhas do jardim e descansa sob a luz do sol. 
E eu, de egoísta, tratei logo de me deixar apegar. E a esperança pousava livre e calma em mim.

Dei àquela esperança o nome de amor. Parte por ela gostar das folhas de amora, ora porque há sempre esperança no amor.

Dia desses eu pensei em carregá-la comigo, mas  meu coração anda fraco, sem ritmo. 

Mas talvez levar amor consigo não fosse má ideia. Talvez me tachassem de louco, mas quem sabe por acaso encontraria entusiastas da esperança. Assim me acompanhariam sem julgar.

Bem, numa dessas tardes em que os raios de sol atravessam a janela eu decidi liberta-la. Então de peito carregado eu a deixei livre. E naquele momento fui feliz. Restringir amor para si sufoca também a esperança  de ser feliz. 

E agora vivo meus dias.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

O nome de uma estrela qualquer

Há um rosto grafado nos céus

E ele grita de saudade ou apatia


E a lua se avizinha de uma estrela que talvez você saiba o nome

Ou talvez eu possa inventar algum pra ela.

Fato é que tanto a lua quanto a estrela são solitárias, vivendo cada uma na imensidão do cosmos

vagando por aí sem rumo.

Quase tão vazias quanto meu quarto

Quase tão solitárias quanto eu