domingo, 27 de junho de 2021

Eu

"«Eu sou eu, e bem gostaria de o não ser. » O sentimento do eu era nele intenso e desolador." 
Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Onde me encontro

 Estou de volta ao raso.

Deitado na praia num dia cinza

Encho os pulmões empedrados com ar frio e úmido

Seguro em minhas mãos um guizo frio, polido e castigado pelo tempo como eu.

Eu que já estive em alto mar navegando mistérios e decifrando águas densas, 

hoje me banho em terra firme, seguro, de onde vejo todos os guizos. 

São pequenos, vazios, frios e duros. 

Todos igualmente repetidos.. São opostos ao mar.

E as gotas da chuva fria caem na água

e de cada gota uma nova onda reverbera infinitos 

Me mantenho perdido

É só assim que posso me encontrar.  

 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Quarto trapezoidal

 Quem é que conta quantos traços hão desenhos destes tantos que eu nunca soube ilustrar?

São retratos com pessoas que um dia me estavam aqui neste lugar


Cada ser, um fim em si e eu me permito não mudar


Numa casa sem retângulo é onde eu gosto de estar

Como quadros em paredes que ninguém pode notar

Sou a música, memória que ninguém sabe escutar

Uma nota imperfeita na escala 

Me componho como sou

Ser confuso, nunca em vão


E agora mais feliz

Agora posso ficar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Maré cheia

Revirei meus dias

Visitei meus traumas.

Agora estou respirando livre

Mesmo num mundo desconcertado.


Ajustei meus objetivos e estou mais forte.

Talvez eu tenha amadurecido, talvez eu tenha os escondido

Mas fato é que sei os passos que devo dar para chegar onde preciso


Vejo as ondas e o mar, o horizonte sorri para mim

Não estou absolutamente feliz, mas estou contente.

A vida não é o enigma inteiro que acreditei que fosse

Então é o que me resta. Viver.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Exílio

 

Quatro cordas

Dissonantes dimensões

Aquela música que eu escrevi e não mostrei a ninguém

O medo de reler as velhas páginas do diário proibido

A saudade de não sei o quê

O isolamento voluntário é, em verdade, o exílio que me forço

Um pedido de ajuda velado

Que ninguém sabe atender

Mas suponho saber

Dos dias mais seguros

Enquanto hão de vir

Os obscuros

Que tanto

Tento

fugir